Entenda como funciona a inseminação artificial

Quando um casal busca auxílio para engravidar, os tratamentos mais comuns são os de baixa complexidade: coito programado e inseminação intra uterina (ou artificial). Mas o que é Inseminação Artificial (IA)?

 

A técnica é um atalho criado para se colocar os espermatozoides dentro do útero da mulher. Para isso ocorrer de forma otimizada se busca ou se cria o período fértil (momento perfeito da ovulação da mulher), facilitando assim a união com o óvulo. Muitos casais confundem com fertilização in vitro, que na verdade, põe o embrião já pronto no útero. Para acompanhar são usados ultrassonografias seriadas e quando se identifica que os folículos atingiram o tamanho e número ideal se faz a inseminação.

 

Apesar de ser possível a realização da IA sem nenhum estímulo à ovulação, o mais comum é se usar de algum estímulo para aumentar as chances de sucesso. A coleta dos espermatozoides é por meio de masturbação sem uso de lubrificantes ou saliva. Os espermatozoides são separados de células indesejadas e de defeituosos para restar apenas os melhores. Homens com números de espermatozoides muito baixos não conseguem uma concentração suficiente para técnica. A amostra também pode ser obtida em um banco de sêmen, caso a doação seja necessária.

 

O procedimento pode ser feito tanto num laboratório quanto numa clínica. Solicitamos que o homem fique em abstinência sexual de dois a cinco dias antes da coleta do sêmen, para garantir uma melhor qualidade. Nessa fase é importante manter uma rotina saudável evitando estresse excessivo, consumo exagerado de álcool e de tabaco.

 

Para lançar os espermatozoides se usa um espéculo vaginal (igual a quando se faz um Papanicolau) e através do colo do útero é inserido um cateter bem fino, acoplado a uma seringa que contém os espermatozoides. Ao fim do processo do material é retirado e o exame de gravidez é feito em torno do 12º ao 14º dia.

 

A maior indicação para IA é quando há uma alteração moderada a leve na avaliação seminal, mas se pode usar esta técnica para endometriose leve, suspeita de problemas no colo do útero ou mesmo quando não há uma explicação para a infertilidade. Os resultados oscilam entre 15 a 20% e se orienta que a técnica seja repetida (em caso de insucesso) até 3 vezes para, só depois, partir para técnicas mais avançadas, como a fertilização in vitro.

 

A maior preocupação da inseminação artificial reside na incapacidade de controle do número de óvulos fecundados após o processo ser deflagrado. Na história da medicina reprodutiva os grandes múltiplos ocorreram por esta via. Assim, o acompanhamento médico é imprescindível. Não raramente o tratamento é suspenso quando há muitos folículos estimulados e quando isto ocorre pode também acontecer a Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO). Não se deve usar o medicamento sem acompanhamento médico. Infelizmente uma prática ainda vista pelo fácil acesso as medicações estimuladoras da ovulação.

 

É uma técnica excelente e de ótimos resultados quando bem indicada e conduzida. Sempre busque orientação com profissionais comprometidos com cada caso e que tenham um bom suporte técnico para que todos os passos sejam bem elaborados.

Dr. Vamberto Maia Filho
Graduação em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (2001). Realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (2004) e em Reprodução Humana (2005) pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP). Possui título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO/TEGO - 2004) e em endoscopia ginecológica (Video-laparoscopia e Histeroscopia - FEBRASGO - 2005). Doutor em ciências médicas pela UNIFESP (2010). Foi diretor médico do Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana - SP. Ex-sócio do grupo Huntington Medicina Reprodutiva. Médico do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP com enfase no ensino com linha de pesquisa em implantação embrionária. Responsável pelo ambulatório de hirsutismo do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP Doutor pela UNIFESP. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Experiência na área de Ginecologia, com ênfase em Reprodução Humana.

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