Suplementos e vitaminas devem ser prescritos por médico especialista, que poderá ainda orientar com relação a mudanças do estilo de vida e solicitar exames. Mas, em muitos casos, tecnologias de reprodução assistida podem ser necessárias
Não é difícil conhecer alguém que não consegue engravidar devido a problemas de infertilidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 1 em cada 6 casais têm dificuldade para engravidar ou levar uma gravidez a termo. Nesse contexto, surge um mercado perigoso: o de produtos de venda livre dedicados a ‘curar’ a infertilidade. “Os profissionais de marketing estão visando essa população com suplementos alimentares que fazem alegações não comprovadas de cura, tratamento, mitigação ou prevenção da infertilidade e outros problemas de saúde reprodutiva. Algumas mulheres podem ter tido dificuldades para engravidar ou apresentar problemas de saúde subjacentes que as colocam em risco de infertilidade. Ou seja, é necessário avaliar a causa da infertilidade, que também pode ser masculina. Apenas ingerir suplemento pode representar um risco: de perda de tempo (e tempo é óvulo); de gastos desnecessários; e de perigo para a saúde, uma vez que vitaminas em excesso também podem fazer mal”, explica o Dr. Rodrigo Rosa, médico especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime.
Alegações de que um produto previne, trata ou cura infertilidade o caracterizam como um novo medicamento e, portanto, deve ser aprovado pela ANVISA antes de ser comercializado com segurança. “Suplementos alimentares com tais alegações podem dissuadir pacientes de buscarem atendimento médico especializado e medicamentos eficazes e aprovados pela agência”, comenta o Dr. Rodrigo. “Esses supostos auxiliares de fertilidade visam lucrar com a vulnerabilidade e a frustração que muitas pessoas sentem ao enfrentar dificuldades para engravidar. Vale lembrar que a infertilidade é uma condição de grande impacto psicológico, social e financeiro, que frequentemente envolve estigma e sofrimento emocional. Confiar em produtos ineficazes e sem comprovação científica pode ser um desperdício de tempo e dinheiro, além de possivelmente resultar em doenças ou lesões graves”, acrescenta.
O especialista explica que, sempre que um casal tiver dificuldades para engravidar, a primeira coisa a fazer é sempre consultar um médico especialista antes de comprar ou usar qualquer produto de venda livre, incluindo aqueles rotulados como suplementos alimentares. “A infertilidade é definida como a incapacidade de engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção, mas para casais com mais de 35 anos, após 6 meses de tentativa, já é indicado buscar ajuda médica”, comenta o Dr. Rodrigo. “Uma das melhores maneiras de se proteger de tratamentos falsos é questionar se uma alegação parece boa demais para ser verdade ou se contradiz o que você ouviu de fontes confiáveis sobre o tratamento da infertilidade. Empresas que vendem terapias não comprovadas para infertilidade ou relacionadas à gravidez frequentemente incluem uma série de alegações abrangentes e sem fundamento sobre a suposta eficácia de seus produtos”, comenta o médico.
Resposta simplista a problema complexo
Os suplementos alimentares para fertilidade muitas vezes buscam dar respostas simples a problemas complexos. A infertilidade pode ser causada por diversos fatores e afetar tanto homens quanto mulheres. “De maneira geral, nas mulheres, a principal causa de infertilidade é a idade, pois, devido ao processo de envelhecimento, há uma diminuição natural da quantidade e qualidade dos óvulos. Já nos homens, a infertilidade está relacionada principalmente a condições como varicocele, que é a dilatação das veias dos testículos, infecções urogenitais e hipogonadismo, ou seja, quando os testículos não produzem quantidades adequadas de testosterona”, explica o Dr. Rodrigo. “Quanto antes um médico for consultado, maiores as chances de tratar o problema e – finalmente – engravidar”, diz.
Porém, não é apenas a idade e as doenças do sistema reprodutor que causam infertilidade. “Também sabemos que há um impacto dos maus hábitos de vida na fertilidade. Tabagismo, consumo de álcool, má alimentação, sedentarismo e obesidade também dificultam a concepção de um filho”, acrescenta o médico. Entre os hábitos de vida, o tabagismo e a dieta inadequada, independente do peso, são os fatores que mais prejudicam a capacidade reprodutiva dos casais. E, nos últimos anos, a maior exposição à poluição do ar também tem gerado um impacto importante na fertilidade. “O excesso de exposição a produtos químicos provenientes da poluição e de agrotóxicos pode induzir a diversos tipos de danos no DNA, levando então a mutações que, por exemplo, inviabilizam o espermatozoide, contribuindo para a infertilidade masculina”, afirma o especialista.
Tratamentos dependem da causa
A estratégia usada para tratar a infertilidade depende da causa, da idade dos parceiros, há quanto tempo o casal não consegue engravidar e das preferências pessoais. “Como são inúmeras as possíveis causas, o médico fará uma extensa investigação para identificar a real causa do problema. O casal precisará fazer uma série de exames específicos para verificar a saúde reprodutiva. Identificada a causa, o tratamento adequado será orientado pelo médico”, afirma o Dr. Rodrigo. Segundo ele, o médico pode prescrever, por exemplo, medicamentos como as gonadotrofinas (hormônios injetáveis) para ajudar na fertilidade. Em alguns casos, medicamentos também são usados para aumentar a produção dos espermatozoides. “Alguns quadros de infertilidade são causados por obstrução ou cicatrizes nas trompas de falópio, que podem ocorrer como resultado de uma doença inflamatória pélvica. Aqui a indicação é cirúrgica”, reforça. “Mas, em muitos casos, os tratamentos de reprodução assistida são a solução. Uma das possibilidades é a Inseminação Intrauterina (IUI), na qual o esperma é colocado diretamente no útero usando um tubo de plástico fino. O procedimento é programado para coincidir com a ovulação”, diz o Dr. Rodrigo. Já na Fertilização In Vitro (FIV), o óvulo da mulher é fertilizado com o espermatozoide fora do corpo. “A medicação é usada para estimular ovulação e os óvulos são coletados e fertilizados em laboratório. O embrião é então transferido de volta ao útero. A taxa de sucesso da FIV é de cerca de 60% para cada ciclo de tratamento entre mulheres com menos de 35 anos, mas essa taxa de sucesso diminui com o aumento da idade”, finaliza o médico.
FONTE: *DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa
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