Técnica que usa óvulos de doadoras alcança taxa de quase 80% de fertilização no Brasil

Médica explica como a ovodoação amplia as chances de gravidez, especialmente após os 40 anos

Entre 2020 e 2025, 79% dos óvulos doados utilizados em tratamentos de reprodução assistida no Brasil resultaram em fertilização, segundo dados do SisEmbrio, o equivalente a 93,3 mil fertilizações a partir de 118,1 mil oócitos inseminados. Os números evidenciam o crescimento da ovodoação como alternativa para mulheres que adiam a maternidade ou enfrentam dificuldades para engravidar com os próprios óvulos. 

Para Dra. Ana Paula Aquino, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, os dados reforçam o papel crescente da ovodoação no Brasil, especialmente diante do adiamento da maternidade e da queda natural da fertilidade com a idade. “A ovodoação tem se consolidado como uma alternativa altamente eficaz para mulheres que não conseguem engravidar com seus próprios óvulos, principalmente após os 40 anos”, explica. “Ao utilizar óvulos de doadoras, geralmente mais jovens, conseguimos contornar um dos principais fatores limitantes da fertilidade, que é a qualidade oocitária.”

Outro ponto que chama atenção é a consistência dos resultados com óvulos criopreservados, o que amplia o acesso ao tratamento e permite maior flexibilidade no planejamento dos ciclos. “O fato de termos taxas de fertilização praticamente idênticas entre óvulos frescos e congelados mostra o quanto a tecnologia evoluiu. Isso é fundamental para a ovodoação, pois viabiliza bancos de óvulos mais estruturados e tratamentos mais ágeis e previsíveis para as pacientes”, complementa a médica.

O avanço dessas técnicas acompanha a mudança no perfil das pacientes e reforça a importância de discutir alternativas reprodutivas de forma aberta e informada. “No cenário atual, a ovodoação deixa de ser exceção e passa a ocupar um espaço cada vez mais relevante como caminho possível para a maternidade”, explica.

Como funciona a ovodoação?

Na ovodoação, os óvulos de uma doadora são fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro da paciente ou de um doador. Após a formação dos embriões, eles são transferidos para o útero da receptora por meio da fertilização in vitro (FIV).

No Brasil, a doação de óvulos segue regras definidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e deve acontecer de forma voluntária e anônima. Podem doar mulheres jovens, com boa saúde e exames compatíveis, geralmente até os 35 anos. Já as receptoras costumam ser pacientes com baixa reserva ovariana, falência ovariana precoce, menopausa, histórico de múltiplas tentativas sem sucesso ou mulheres que optaram por engravidar mais tarde.

Segundo a médica, os resultados obtidos com óvulos congelados chamam atenção pela eficiência semelhante aos ciclos com óvulos frescos. “A evolução das técnicas de congelamento trouxe mais segurança e previsibilidade aos tratamentos. Hoje, conseguimos ter taxas de fertilização muito próximas entre óvulos frescos e criopreservados, o que amplia o acesso e dá mais flexibilidade para as pacientes”, esclarece.

A Dra. Ana Paula destaca ainda que o avanço da ovodoação acompanha uma discussão cada vez mais necessária sobre fertilidade, planejamento reprodutivo e maternidade tardia. “A maternidade está acontecendo mais tarde e, com isso, cresce também a importância de informar as mulheres sobre as possibilidades disponíveis para realizar o desejo de engravidar”, conclui.

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A Somos Mães é uma ONG e uma empresa do setor 2,5 que nasceu em agosto de 2014. Com o objetivo de informar e acolher, produz conteúdo que impacta diariamente mais de 300 mil pessoas. Tem dois projetos incentivados pela Lei Rouanet.

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