Brasil mantém taxa elevada de cesarianas e reacende debate sobre parto​ ​​

Especialista detalha as fases do parto normal, explica a origem da dor e importância de práticas de humanização para uma experiência mais segura e respeitosa às pessoas gestantes

O Brasil segue entre os países com maiores taxas de cesarianas no mundo, segundo dados recentes do Ministério da Saúde, que apontam que mais de 55% dos partos no país ocorrem por via cirúrgica, número muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O cenário tem impulsionado discussões sobre o parto normal, especialmente em torno de um dos principais fatores que influenciam a decisão das ​pessoas ​gestantes: a dor.

​​Mas, afinal, o que acontece no corpo durante o trabalho de parto e por que ele é doloroso?

Para esclarecer essas dúvidas, o obstetra Pedro Melo, do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no Rio de Janeiro, explica que trata-se de um processo fisiológico complexo​ e​​ ​que envolve mudanças progressivas no corpo para permitir o nascimento do bebê.

“O trabalho de parto é marcado principalmente pelas contrações uterinas, que são movimentos involuntários do útero responsáveis por promover a dilatação do colo do útero e a descida do bebê pelo canal de parto. Essas contrações são o principal motivo da dor, mas também são essenciais para que o parto aconteça de forma natural”, afirma.
 

O que caracteriza o trabalho de parto

De acordo com o especialista, o ​processo​​ ​se inicia quando as contrações passam a ter ritmo, intensidade e frequência regulares, provocando alterações no colo do útero. Antes disso, muitas gestantes podem apresentar contrações irregulares, conhecidas como pródromos, que não indicam ainda o início d​a fase​ ​​ativa​​.

“Esse é um ponto importante porque​,​ muitas​ vezes, a chegada​ à maternidade ​ocorre ​ainda em fase inicial, o que pode gerar ansiedade e intervenções desnecessárias”, explica.
 

As fases do parto
O ​processo​​ ​é dividido em três fases principais. A primeira é a ​​dilatação, considerada a mais longa, em que o colo do útero se abre gradualmente até atingir cerca de dez centímetros. Essa etapa pode durar várias horas, especialmente em gestantes de primeira viagem.

Na sequência ocorre o período expulsivo, quando a dilatação está completa e ​o corpo começa​​ ​a fazer força para ajudar na saída do bebê. É um momento mais intenso, porém geralmente mais curto.

​​Por fim, vem a​​ ​dequitação, que corresponde à saída da placenta após o nascimento​.​“A duração do trabalho de parto pode variar bastante de ​pessoa para pessoa​​​. Não existe um tempo padrão rígido, e respeitar esse ritmo individual é um dos pilares da assistência adequada”, destaca o obstetra.
 

Por que o parto dói

A dor tem origem multifatorial. Além das contrações uterinas, há a distensão do colo do útero, da vagina e dos tecidos do períneo, bem como a pressão exercida pelo bebê nas estruturas da pelve.

Dr. Melo ressalta que fatores emocionais também influenciam diretamente ​essa​​ percepção. “Medo, ansiedade e tensão podem intensificar a dor. Por outro lado, quando a ​pessoa ​se sente segura, acolhida e bem orientada, a experiência tende a ser mais controlável”​.​​
 

Humanização como aliada no manejo da dor

​​As ​estratégias de humanização do parto têm papel fundamental. Elas não eliminam necessariamente a dor, mas contribuem para mais autonomia e conforto durante o processo.

Entre as práticas adotadas estão a liberdade de posição, o uso de métodos não farmacológicos para alívio, como banho morno e exercícios com bola, além da presença de um acompanhante​.​​

“A humanização não significa ausência de assistência médica, mas sim uma condução baseada em evidências, respeito às escolhas e intervenções apenas quando realmente necessárias”, explica o obstetra.

Ele reforça que o acesso à informação de qualidade é um dos principais caminhos para reduzir o medo em torno do parto normal. “Quando a​ pessoa​ gestante entende o que está acontecendo com o​ próprio​ corpo, ela se sente mais preparada. Isso muda completamente a forma como ​ ​​esse momento​​ é vivenciado​”, conclui.

Sobre o Hospital da Mulher Mariska Ribeiro

O Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, localizado na zona Oeste do Rio de Janeiro, é um complexo materno infantil gerenciado pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Sobre o CEJAM

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.

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