Especialista do Instituto do Sono explica como identificar se o descanso não está sendo reparador e quando procurar avaliação médica
Nem sempre é fácil perceber quando uma criança não está dormindo bem. Ao contrário dos adultos, que costumam demonstrar sonolência e cansaço após uma noite mal dormida, os pequenos podem responder à falta de descanso com irritabilidade, agitação e mudanças de comportamento ao longo do dia. “É um mito que toda criança dorme bem. Uma em cada cinco apresenta despertares frequentes à noite ou demora para dormir, sobretudo nos primeiros cinco anos de vida”, ressalta o Dr. Gustavo Moreira, pediatra e diretor clínico do Instituto do Sono/Afip.
Dados do estudo Sleep characteristics in Brazilian children and adolescents: a population-based study confirmam essa estimativa. A pesquisa avaliou 1.180 crianças e adolescentes de todas as regiões do país e identificou distúrbios de sono em 20% das crianças de até três anos e em 23% daquelas entre quatro e 12 anos.
O ronco pode ser um indicativo de que algo não vai bem. Entre os dois e sete anos, o aumento das amígdalas e da adenoide pode favorecer problemas respiratórios durante o descanso, incluindo a apneia do sono. Nesses casos, as interrupções na respiração reduzem os níveis de oxigênio, aumentam os de gás carbônico e fragmentam o sono. “A criança pode apresentar alterações de comportamento, hiperatividade e falta de atenção. O cérebro em desenvolvimento é muito sensível ao que acontece enquanto ela dorme”, destaca Moreira.
As sonecas, por outro lado, fazem parte do desenvolvimento infantil e não devem ser automaticamente associadas a problemas no sono. “A necessidade de dormir durante o dia diminui gradualmente conforme a criança cresce. Por volta de um ano, é comum haver duas sonecas ao dia. Aos dois anos, esse período de descanso costuma ocorrer uma vez ao dia e esse hábito pode continuar até aproximadamente os cinco ou seis anos, tornando-se progressivamente menos frequente”, explica o especialista.
Dificuldades persistentes para adormecer, despertares frequentes ao longo da noite, ronco e mudanças de comportamento durante o dia são sinais que merecem atenção. Segundo Moreira, a busca por avaliação médica é indicada especialmente quando essas alterações começam a interferir na rotina da criança ou da família. Levar muito tempo para adormecer ou acordar repetidamente durante a noite, por exemplo, pode comprometer também o descanso dos pais.
Portanto, avaliar o sono infantil vai além de observar quantas horas a criança passa na cama. Mudanças de humor e comportamento durante o dia, a forma como ela respira enquanto dorme e dificuldades recorrentes para iniciar ou manter o sono ajudam a compor esse quadro. A persistência desses sinais pode indicar a necessidade de investigar se há algum distúrbio interferindo na qualidade do descanso.
Sobre o Instituto do Sono
Fundado em 1992 pelo Professor Dr. Sergio Tufik, o Instituto do Sono — uma das unidades da Afip — é um centro de referência em pesquisa, ensino, diagnóstico e tratamento dos distúrbios de sono. Pioneiro e líder na América Latina em Medicina do Sono, reúne um grupo diversificado de pesquisadores, contando com mais de 1.600 artigos publicados. É responsável pelo EPISONO, um dos maiores e mais relevantes estudos epidemiológicos sobre distúrbios de sono no mundo. Com uma equipe multidisciplinar, oferece atendimento especializado por meio de consultas e exames, tendo superado a marca de 480.000 polissonografias. Destaca-se ainda por sua atuação na área de ensino, com a capacitação de mais de 6.000 alunos de todo o país. Para informações adicionais, acesse o site www.institutodosono.com.
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