Consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama

Mesmo pequenas quantidades merecem atenção. Especialista do CEUB esclarece dúvidas e orienta sobre hábitos que podem ajudar na prevenção da doença

Mamografia, identificação de nódulos e diagnóstico precoce costumam ser o centro das campanhas de conscientização do Outubro Rosa. Porém, outro aspecto ainda pouco conhecido também merece espaço: a relação entre o consumo de bebidas alcoólicas e o câncer de mama. Segundo aAgência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS), o consumo de bebidas alcoólicas foi associado a cerca de 741 mil novos casos de câncer no mundo em 2020. Entre as mulheres, o câncer de mama esteve entre os tumores com maior número de casos atribuíveis ao álcool, com 98 mil ocorrências.


Mesmo o chamado consumo moderado, de menos de duas doses por dia, esteve associado a mais de 100 mil novos casos de câncer globalmente naquele ano. No caso específico do câncer de mama, as evidências apontam uma relação de dose-resposta: quanto maior o consumo, maior tende a ser o risco. Já a American Cancer Society informa que uma dose de bebida alcoólica por dia está associada ao aumento de 7% a 10% no risco de câncer de mama, em comparação com mulheres que não bebem. Enquanto o consumo de duas a três doses diárias está associado ao aumento de cerca de 20% no risco.


A professora de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), especialista em Mastologia e Cirurgia Geral, Gabriela Albuquerque, explica que essas evidências científicas permitem estabelecer relação entre a ingestão de álcool e o desenvolvimento de tumores malignos, entre eles o câncer de mama. “Já foi cientificamente comprovada a relação entre o consumo de álcool e o aumento do risco de desenvolvimento do câncer, não só de mama como de outros tumores malignos”.


Mesmo pouco álcool pode aumentar o risco?

Uma das dúvidas mais frequentes é se o risco estaria restrito ao consumo excessivo. “Não existe dose segura de ingestão de bebida alcoólica quando falamos em prevenção do câncer. Mesmo o consumo leve está associado ao aumento do risco de câncer de mama”, afirma. A mastologista revela que existe uma relação de dose-resposta: quanto maiores a quantidade ingerida e o tempo de exposição, maior tende a ser o risco.
 

E trocar a bebida não elimina o problema. Vinho, cerveja e destilados possuem diferentes concentrações alcoólicas, mas o elemento central dessa associação é o etanol. “Não há diferença entre os diferentes tipos de bebidas alcoólicas quando se trata desse risco. O principal fator é o álcool em si. Qualquer bebida que passe por fermentação ou destilação produz etanol, que, no organismo, é metabolizado e gera acetaldeído”, explica.


O que acontece no organismo?

A relação entre álcool e câncer de mama não ocorre por um único mecanismo. Gabriela explica que diferentes processos podem contribuir para aumentar a vulnerabilidade das células. Um deles envolve os níveis hormonais. “O álcool pode elevar os níveis de estrogênio, hormônio que estimula a proliferação das células do tecido mamário. Uma maior exposição hormonal pode favorecer alterações celulares em determinados contextos”, afirma a professora do CEUB.
 

Outro mecanismo está relacionado ao metabolismo do próprio álcool. No organismo, o etanol é convertido em acetaldeído, substância capaz de causar danos ao DNA. A metabolização também pode favorecer a formação de espécies reativas de oxigênio, associadas ao “estresse oxidativo”, que pode provocar danos a estruturas celulares. Além disso, o consumo de álcool pode interferir no metabolismo de nutrientes importantes, como o folato, vitamina envolvida em processos de formação e reparação do DNA.


Reduzir o consumo faz diferença

Por ser um fator de risco modificável, o consumo de álcool permite uma atuação direta na prevenção. A especialista destaca que reduzir a ingestão ou deixar de consumir bebidas alcoólicas diminui a exposição do organismo aos mecanismos relacionados ao desenvolvimento do câncer. “Quando retiramos a exposição contínua ao álcool, reduzimos a presença de substâncias tóxicas geradas pela sua metabolização e a agressão permanente às células. Por isso, diminuir ou interromper o consumo é uma medida importante de prevenção”, explica Gabriela.

Outubro Rosa além dos exames

Para Gabriela, a conscientização deve reunir informação sobre diagnóstico precoce e medidas para reduzir o risco de desenvolver a doença. “Fala-se muito sobre mamografia e sobre identificar alterações na mama, o que é fundamental. Mas os hábitos de vida também precisam ganhar espaço quando discutimos câncer de mama”, avalia. A docente do CEUB defende essa abordagem nas campanhas e nos serviços de saúde: “O foco do Outubro Rosa deve ser o diagnóstico precoce e a prevenção primária, com atitudes que podem contribuir para evitar o surgimento da doença”.

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A Somos Mães é uma ONG e uma empresa do setor 2,5 que nasceu em agosto de 2014. Com o objetivo de informar e acolher, produz conteúdo que impacta diariamente mais de 300 mil pessoas. Tem dois projetos incentivados pela Lei Rouanet.

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