Viviane Araújo contou sobre ovodoação em entrevista para o jornalista Leo Dias e ajuda a quebrar tabus. Especialistas explicam como funciona o procedimento e quando ele é indicado.
Quando Viviane Araújo revelou que engravidou por meio de ovodoação, acendeu um importante debate: por que ainda existe tanto preconceito com uma das técnicas que mais ajudam mulheres a realizarem o sonho da maternidade? A atriz falou abertamente sobre o tema em entrevista ao jornalista Leo Dias, rompendo barreiras e acolhendo milhares de mulheres que passam pela mesma situação — muitas delas em silêncio.
A ginecologista Dra. Paula Fettback, especialista em reprodução humana pela FEBRASGO, considera a atitude da atriz fundamental para dar visibilidade ao assunto. “Ela ajuda muitas mulheres divulgando o seu tratamento de ovodoação. A gente ainda vê alguns tabus e preconceitos em relação a esse procedimento. Mas, ele possibilita que muitas mulheres e casais, que não poderiam mais ter seus filhos, realizem esse sonho”, afirma.
Segundo a médica, a ovodoação é geralmente indicada para mulheres que já não produzem mais óvulos — seja pela menopausa, idade reprodutiva avançada, doenças genéticas ou baixa qualidade dos óvulos. “Você faz vários ciclos e percebe que os embriões não têm qualidade para gerar uma gestação saudável. Nesses casos, optamos pela doação de óvulos. É um tratamento real, seguro, e precisamos falar mais sobre ele sem julgamento”, completa.
“A técnica consiste na doação de óvulos de uma mulher jovem e saudável para outra que não consegue engravidar com seus próprios óvulos. No Brasil, a prática é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina e deve ser anônima e sem fins lucrativos”. Explica Dra. Graziela Canheo, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana da La Vita Clinic.
A receptora faz o preparo do útero com hormônios, enquanto a doadora passa por estimulação ovariana. Após a coleta, os óvulos são fertilizados em laboratório e os embriões formados são transferidos para o útero da receptora. A taxa de sucesso pode ser bastante alta, especialmente porque os óvulos vêm de mulheres em idade fértil.
A ovodoação é uma das alternativas para quem deseja engravidar após os 40, mas não é a única. Algumas mulheres ainda conseguem engravidar naturalmente nessa faixa etária, embora os riscos aumentem e a fertilidade diminua.
“Aos 40, engravidar naturalmente ainda é possível, mas a mulher deve fazer uma avaliação médica criteriosa. Exames hormonais, ultrassom e controle de condições como hipertensão e diabetes ajudam a garantir uma gestação mais segura”, explica Dra. Graziela Canheo, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana da La Vita Clinic.
Ela também reforça que muitas mulheres escolhem adiar a maternidade por razões emocionais, financeiras ou de carreira, e que esse planejamento precisa ser acompanhado de informações de qualidade. “Com os avanços da medicina, hoje é possível ter uma gravidez saudável após os 40, seja com seus próprios óvulos ou por ovodoação. O importante é ter um acompanhamento médico e cuidar da saúde física e emocional desde o início”, destaca.
A decisão de engravidar após os 40 — seja de forma natural ou por ovodoação — não deveria ser acompanhada de culpa ou julgamento. “A ovodoação é vida. Ela existe, faz parte do nosso arsenal de tratamentos e deve ser vista com respeito e acolhimento. O exemplo da Viviane é inspirador, e ajuda a abrir portas para muitas outras mulheres”, finaliza Dra. Paula.
Dra. Paula Fettback | CRM 117477 SP | CRM 33084 PR
Dra. Graziela Canheo | CRM 145288 | RQE 68331 | Ginecologista e Obstetra | Reprodução Humana