Os jovens e a necessidade da desconexão

Rodrigo Otávio dos Santos*

“Cada indivíduo é um universo”. Essa frase, com certeza é uma verdade quase absoluta, mostra que somos todos diferentes. Entretanto, algumas características podem nos juntar, nos fazer mais parecidos uns com os outros. A mais óbvia, nesse sentido, é nossa data de nascimento. Muito utilizada na publicidade, dividir os indivíduos em gerações ajuda a entender e prever comportamentos que são muito semelhantes em todos que possuem determinada característica comum.

A mais simples das características é a data de nascimento. Mas vai muito além disso. Os chamados baby boomers, nascidos imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial conviveram com uma tentativa de reconstrução mundial. A geração seguinte, chamada de Geração X, conviveu com um mundo mais próspero, mas sempre ameaçado com bombas atômicas que poderiam voar durante a Guerra Fria, e assim por diante.

A Geração Z (também chamada de Centennials, ou iGen), tem como principal característica já ter nascido com a internet plenamente desenvolvida, e começar a utilizar smartphones desde criança. Esta é a geração que mais utiliza as redes sociais no Brasil. Mais do que isso, são indivíduos que se comunicam mais de forma digital do que de forma presencial. A maior parte da socialização é mediada por aplicativos dentro de seus smartphones, aparelhos que são praticamente um apêndice no corpo de um jovem. Cerca de 96% dos brasileiros possuem um desses aparelhos.

E dentro desses artefatos, estão as também onipresentes redes sociais digitais. TikTok, Instagram, Discord entre outras tantas redes sociais são o meio de comunicação dos jovens. Mas essas redes estão longe de serem benéficas. Ao contrário, elas agem motivadas apenas por um fator: lucro.

As redes sociais digitais se utilizam de algoritmos, ou seja, complexas estruturas matemáticas, para manter as pessoas cada vez mais dentro de sua rede. Essa estratégia é utilizada motivada pelo modelo de negócio dessas empresas. Funciona assim: entre uma postagem e outra de seus amigos ou conhecidos, existe uma propaganda, que é direcionada. Se na televisão a publicidade pode ou não lhe ser interessante, na rede social, cada propaganda é direcionada para seu perfil. Assim, quanto mais tempo a pessoa permanecer dentro da plataforma, mais ela enche o bolso de seus acionistas. Pensa bem: cada vez que você está utilizando o Instagram, por exemplo, está trabalhando de graça para seus acionistas.

O problema, entretanto, vai além. As redes se utilizam de mecanismos psicológicos para fazer com que as pessoas fiquem cada vez mais enredadas lá dentro. Para conseguir isso, é gerada uma ansiedade. “Eu preciso” saber o que está acontecendo no Instagram. O jovem precisa saber se seu vídeo no TikTok está performando bem. Isso vai gerando ansiedade e, ao longo do tempo, pode se tornar um problema sério. Afinal, muita ansiedade pode gerar síndrome do pânico ou depressão. E a depressão, em seu estágio mais grave, pode levar ao suicídio. Não por acaso, observa-se uma escalada preocupante do suicídio juvenil a partir de 2012, período em que as redes sociais se consolidaram nos smartphones e passaram a ocupar espaço central na vida dos adolescentes. Os números são alarmantes: de acordo com dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, entre 2010 e 2021, o suicídio foi a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no Brasil.

Muitos jovens, porém, parecem ter acordado para esta realidade. Normalmente da pior forma possível, ou seja, conhecendo alguém que acabou com a própria vida, e estão abandonando aos poucos a vida tão conectada. É necessário se desconectar. É necessário viver uma vida plena, uma vida divertida, uma vida offline. Exatamente o oposto do que é oferecido por essas redes sedentas por dinheiro e por almas.

*Rodrigo Otávio dos Santos é professor do Doutorado em Educação e Novas Tecnologias na Uninter e autor do livro Redes Sociais Digitais na educação brasileira: Seus perigos e suas possibilidades

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