Dor de ouvido, sensação de pressão, audição abafada e, em alguns casos, saída de secreção são sintomas relativamente comuns, especialmente após resfriados, gripes ou episódios de congestão nasal. Na maioria das vezes, esses sinais estão relacionados a processos inflamatórios ou infecciosos do ouvido, conhecidos de forma geral como otites.
Apesar de frequentes, esses quadros merecem atenção quando se repetem, quando os sintomas são intensos ou quando há alteração persistente da audição. Nesses casos, a avaliação médica é fundamental para identificar o tipo de otite, a causa provável e o tratamento mais adequado.
Segundo o médico otorrinolaringologista Francisco Leite dos Santos, nem toda dor de ouvido tem a mesma origem, já que existem diferentes tipos de otite. Em adultos, é mais comum a otite externa, que acomete o canal do ouvido e costuma estar relacionada à umidade ou à manipulação local. Já em crianças, a otite média aguda é mais frequente e geralmente ocorre após infecções das vias aéreas superiores, como resfriados.
“A otite externa é uma inflamação do canal auditivo, a parte mais externa do ouvido. Pode causar dor, coceira, sensação de ouvido tampado e, às vezes, secreção. Frequentemente está associada à entrada de água, ao uso de hastes flexíveis ou à introdução de objetos no ouvido”, explica o médico. “Já a otite média aguda ocorre atrás do tímpano, na orelha média. Em crianças, ela é favorecida pela imaturidade do sistema de defesa e pelo funcionamento ainda em desenvolvimento da tuba auditiva, estrutura que liga o ouvido ao fundo do nariz”, completa dr. Francisco Leite.
Os sintomas mais comuns de otite incluem dor de ouvido, febre, irritabilidade, dificuldade para dormir, sensação de pressão e redução temporária da audição. Nem todos os casos precisam de antibiótico imediato. Em situações leves, pode ser indicada observação inicial.
Infecções recorrentes ou líquido persistente atrás do tímpano podem causar redução auditiva temporária e, quando não acompanhados adequadamente, podem interferir no desenvolvimento da fala, da linguagem e da aprendizagem infantil.
A prevenção da otite envolve medidas simples, como: evitar introduzir objetos no ouvido, não utilizar hastes flexíveis dentro do canal auditivo, tratar rinite e manter acompanhamento adequado, com médico especialista. “A automedicação deve ser evitada, já que o uso inadequado de antibióticos pode favorecer a resistência bacteriana”, alerta o especialista.
A maioria dos casos evolui bem quando o diagnóstico é correto e o tratamento é seguido de forma adequada.
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