Oscilações hormonais simultâneas desafiam famílias brasileiras e expõem impactos físicos, emocionais e sociais na rotina doméstica
Segundo dados do IBGE, divulgados em junho de 2025, a idade média das mães brasileiras passou de 26 anos, em 2000, para 28 em 2022, confirmando a tendência de adiamento da maternidade. Esse movimento, cada vez mais comum, traz consequências diretas para a dinâmica familiar: muitas mulheres chegam à fase da perimenopausa justamente quando os filhos atravessam uma das fases mais desafiadoras da maternidade, a adolescência.
O resultado é a convivência de duas realidades hormonais intensas sob o mesmo teto, de um lado, a mãe lidando com sintomas como oscilações de humor, fadiga e alterações físicas; de outro, a adolescente enfrentando as transformações típicas da puberdade. Essa sobreposição de ciclos pode gerar impactos emocionais e sociais significativos, exigindo novas estratégias de cuidado, diálogo e apoio dentro das famílias.
De acordo com a ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, os sintomas da perimenopausa podem afetar diretamente a relação com os filhos adolescentes. “Há uma flutuação hormonal tanto na perimenopausa quanto na adolescência. Em ambas as fases, os hormônios influenciam o funcionamento do cérebro, modificando a forma de encarar situações, o pensamento e o comportamento. Isso gera uma sobreposição de desafios emocionais entre mãe e filho”, explica.
No caso dos adolescentes, meninas enfrentam mudanças emocionais e físicas intensas com o início da produção de estrógeno e progesterona. Já nos meninos, o aumento da testosterona influencia humor, energia e impulsividade. Essa combinação torna a convivência mais complexa, já que mãe e filhos atravessam fases de transição simultâneas, cada um com suas próprias demandas emocionais e fisiológicas.
Saúde física e emocional
A perimenopausa pode trazer impactos significativos para a saúde mental da mulher. A flutuação de estradiol e o declínio da progesterona provocam ansiedade, irritabilidade e baixa tolerância. A insônia é outro fator que intensifica os conflitos familiares, criando um ciclo vicioso de instabilidade hormonal e desgaste emocional. “Quando a mulher não dorme bem, tende a ficar mais ansiosa e irritada, sem clareza mental para lidar com toda a demanda”, afirma Ana Maria.
Para enfrentar essa fase sem comprometer a relação com os filhos, hábitos saudáveis são fundamentais. Alimentação anti-inflamatória, prática de atividade física, sono adequado e suplementação podem reduzir os impactos da perimenopausa. O diálogo aberto também é essencial para que os adolescentes compreendam o que a mãe está vivendo.
Apoio médico e social
O acompanhamento médico deve ser buscado pela mulher sempre que surgirem sinais de alteração, como dificuldades de sono, fadiga, perda de entusiasmo ou alterações de humor. Nesse contexto, o papel do pai é considerado estratégico para o equilíbrio familiar. Ao compreender tanto os desafios da mãe quanto às mudanças vividas pelos filhos, ele pode atuar como mediador, oferecendo suporte emocional e prático.
A médica reforça ainda a importância da rede de apoio. “A conversa aberta é fundamental, assim como a presença do pai e o acompanhamento da ginecologista pela mãe. Essa rede de diálogo é essencial para que todos entendam o que está acontecendo e possam se apoiar mutuamente”, conclui.
Sobre a Dra. Ana Maria Passos
Dra. Ana Maria Passos tem mais de 19 anos de atuação como Ginecologista e Obstetra em Porto Alegre (RS), e atende em sua AME Clínica, onde realiza um cuidado integral na saúde da mulher. Especialista em saúde da mulher, atua com ênfase em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, gestação e puerpério. Reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utiliza suplementação e reposição hormonal para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos.


