De acordo com dados do Ministério da Saúde, a cada ano ocorrem entre 300 mil e 340 mil partos antes das 37 semanas de gestação
O Brasil está entre os dez países do mundo que mais registram partos prematuros. De acordo com dados do Ministério da Saúde, são contabilizados, a cada ano, entre 300 mil e 340 mil partos antes das 37 semanas de gestação, o que representa em torno de 12% de todos os partos realizados, acima da média mundial de 10%.
Estudo publicado na revista Pregnancy mostra que um teste sanguíneo pode ajudar a reduzir os partos prematuros e as complicações em recém-nascidos. O ensaio clínico, que contou com 5.018 mulheres, descobriu que o teste sanguíneo PreTRM, quando combinado com intervenções direcionadas e procedimentos ginecológicos, traz resultados satisfatórios.
O teste, desenvolvido pela Sera Prognostics, envolveu a prescrição de progesterona vaginal diária, aspirina em baixa dosagem, além de acompanhamento de enfermagem. O exame prevê o risco de parto prematuro espontâneo em mulheres assintomáticas com gestações únicas.
Os principais resultados incluem redução de 56% nos nascimentos antes de 32 semanas e redução de 32% antes de 35 semanas. O estudo também relatou 20% menos bebês admitidos em unidades de terapia intensiva neonatal e redução de 20% na morbidade neonatal.
Lei define ações prioritárias
No Brasil, está em vigor a lei nº 15.198/2025, que define ações prioritárias que o Poder Público deve implementar para enfrentar e reduzir a mortalidade de bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação, assim como a mortalidade materna.
O texto determina que, durante o acompanhamento pré-natal, as equipes de saúde deverão alertar as gestantes sobre os sinais e os sintomas do trabalho de parto prematuro, além de identificar, tratar, referenciar e acompanhar gestantes com fatores de risco de parto prematuro.
Os cuidados a serem dispensados aos bebês prematuros devem levar em conta o peso da criança no momento do nascimento, podendo abranger ações como a utilização do método canguru, a necessidade de profissional treinado em reanimação neonatal, o direito dos pais acompanharem os cuidados com o prematuro em tempo integral, bem como a necessidade da criança nascida prematuramente ser atendida em unidade de terapia intensiva (UTI) especializada, por equipe multidisciplinar qualificada.
A lei também prevê ações como a prioridade de atendimento pós-alta hospitalar; a necessidade de acompanhamento pós-alta em ambulatório especializado com equipe multidisciplinar até, no mínimo, dois anos; o calendário especial de imunizações e a necessidade de acompanhamento psicológico dos pais durante o período de internação do prematuro.
Desigualdade marca perfil das mulheres afetadas
Estudo publicado na revista The European Journal of Contraception & Reproductive Health Care revela que as gestações não planejadas ocorrem com frequência maior, 74% dos casos, entre mulheres negras e pardas.
Outros recortes desenham o perfil: mulheres com menor escolaridade somam 77% das ocorrências, enquanto as solteiras respondem por 85%, e aquelas em união consensual somam 72%. A pesquisa entrevistou 534 gestantes entre 18 e 49 anos.
As diferenças entre os grupos sociais, identificadas pelo levantamento, podem refletir, dependendo do perfil socioeconômico das gestantes, em dificuldade em agendar obstetra em São Paulo.
Entre os fatores determinantes para o planejamento reprodutivo identificados pelo estudo estão etnia, grau de escolarização, renda própria, situação conjugal e número de filhos. Em entrevista à imprensa, o pesquisador responsável pelo estudo, Negli Gallardo-Alvarado, explicou que a investigação diferenciou três categorias de estado civil. “Encontramos que as chances eram maiores para mulheres solteiras, mas também para mulheres que moravam junto, em relação às mulheres casadas.”
O levantamento incluiu 52% de mulheres brancas, 53% com até 12 anos de escolaridade e 41% oficialmente casadas. “No estado mais rico do Brasil, 65% das mulheres afirmarem que tiveram uma gravidez não planejada é algo muito grave”, declarou o orientador do estudo, Luis Bahamondes.
Já com relação à prematuridade, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia aponta que ela responde por aproximadamente 75% de toda morbidade e mortalidade neonatais. Entre os fatores de risco estão a gravidez na adolescência, o histórico anterior de parto prematuro e a gestação múltipla. Uso de álcool, cigarro e drogas ilícitas durante a gestação também elevam a probabilidade de nascimento antes do termo. Cuidados pré-natais inadequados e infecções completam o quadro de causas.
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