País registrou 1.347 óbitos maternos em 2024, segundo o Ministério da Saúde; especialista do Delboni, marca da Dasa, explica por que a ultrassonografia e o diagnóstico precoce são decisivos nessa prevenção
O Brasil chega ao Dia da Gestante, celebrado em 15 de agosto, com um retrato que ainda preocupa a saúde pública: o país registrou 1.347 mortes maternas em 2024, razão de 56,4 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) estima que nove em cada dez dessas mortes poderiam ser evitadas. As causas obstétricas diretas — síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações de aborto — respondem por 66% dos casos e têm em comum um fator de proteção: o acompanhamento pré-natal qualificado.
Para a médica Rita de Cássia Machado, especialista em Medicina Fetal do Delboni, marca da Dasa, boa parte das mortes evitáveis tem relação direta com falhas no acompanhamento da gestação. “Cada fase da gestação possui objetivos específicos de avaliação. A ultrassonografia, associada ao acompanhamento obstétrico, permite estimar adequadamente a idade gestacional, avaliar o desenvolvimento e a morfologia fetal, acompanhar o crescimento do bebê e identificar precocemente condições que possam requerer investigação complementar ou seguimento especializado. Quanto antes isso é identificado, maior a chance de conduzir a gestação com segurança”, afirma.
As recomendações da FEBRASGO e do Ministério da Saúde vão no mesmo sentido: é o acompanhamento pré-natal que garante o encaminhamento oportuno das gestantes que precisam de atenção especializada. A ultrassonografia, nesse processo, é ferramenta central para avaliar vitalidade fetal, idade gestacional, anatomia e crescimento fetal, além de identificar gestações múltiplas e malformações.
É nesse cenário que o Delboni, marca da Dasa, estruturou a Jornada da Gestante, novo espaço na unidade Mooca, em São Paulo, dedicado a organizar o pré-natal em um só lugar, com recepção e coleta próprias e equipe de Medicina Fetal integrada ao acompanhamento obstétrico. Segundo Rita Machado, a lógica é reduzir as barreiras que fazem gestantes remarcarem ou pularem exames.
“A gestação é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Um ambiente preparado para acolher essa mulher, com uma equipe especializada e assistência integrada, contribui para uma experiência mais segura e humanizada durante toda a gravidez. Mas o que protege de fato essa mulher e esse bebê é reduzir a distância entre o exame, o diagnóstico e a conduta”, diz Rita Machado.
O Brasil tem meta de reduzir a razão de mortalidade materna para 30 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. Para especialistas, o pré-natal qualificado é a variável mais decisiva, e mais evitável, dentro do controle do sistema de saúde, e é nela que ações como a Jornada da Gestante se apoiam.
Referências
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Protocolos da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco. São Paulo: FEBRASGO, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.020, de 29 de maio de 2013. Institui as diretrizes para organização da Atenção à Saúde na Gestação de Alto Risco.
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/Datasus), dados de 2024 (1.347 óbitos maternos; razão de 56,4/100 mil nascidos vivos), e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), estimativa de evitabilidade de mortes maternas — ambos citados em: Mortalidade materna: Brasil ainda perde centenas de mulheres por ano. BVS Saúde Pública, 28 maio 2026. Disponível em: Link
CÂMARA DOS DEPUTADOS. Rádio Câmara. 15 de agosto é o Dia da Gestante. Disponível em: Link
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