A preparação do corpo, da mente e do ambiente familiar antes da concepção ajuda a evitar complicações e torna a gestação mais segura desde o início
A decisão de ser mãe costuma anteceder o teste positivo. Ela surge como desejo, amadurece como plano e, aos poucos, passa a orientar escolhas. É nesse intervalo, entre a decisão e a gestação, que o cuidado pode e deve começar. A medicina já reconhece que o pré-natal não se inicia na gravidez, mas na preparação para ela. No Brasil, o acesso ao pré-natal durante a gestação é amplo, especialmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda assim, muitas intercorrências que aparecem ao longo da gravidez poderiam ser prevenidas se o cuidado tivesse começado antes da concepção. O acompanhamento pré-concepcional surge justamente para antecipar esse olhar.
Para Isabela Simionatto, ginecologista e obstetra, esse cuidado não significa medicalizar o desejo de engravidar, mas organizá-lo com informação e consciência. “Quando a mulher decide engravidar, ela já começa a cuidar. O acompanhamento antes da gestação ajuda a transformar esse cuidado em proteção”, explica. A avaliação da saúde geral é um dos primeiros passos. Doenças como hipertensão, diabetes, alterações da tireoide, anemia e excesso de peso, quando não identificadas previamente, aumentam o risco de complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e dificuldades no crescimento do bebê. “Ao ajustar essas condições antes da gravidez, conseguimos reduzir riscos que poderiam surgir mais adiante, quando as opções de intervenção já são mais limitadas”, afirma a médica.
Outro ponto essencial é a suplementação adequada, especialmente com ácido fólico. Iniciada antes da concepção, ela reduz o risco de defeitos do tubo neural, que se formam nas primeiras semanas da gestação. “Essas alterações acontecem muito cedo, muitas vezes antes mesmo de a mulher saber que está grávida. Por isso, o cuidado precisa vir antes”, reforça Dra. Isabela. A revisão de medicamentos e hábitos de vida também faz parte desse preparo. O uso de álcool, o tabagismo e alguns medicamentos podem interferir no desenvolvimento embrionário logo no início da gestação. “Quando ajustamos esses fatores antes, evitamos exposições desnecessárias em um momento extremamente sensível da formação do bebê”, explica.
A atualização vacinal e o rastreio de infecções são cuidados igualmente importantes. Algumas doenças, quando adquiridas durante a gravidez, podem causar malformações, perdas gestacionais ou complicações neonatais. “Antecipar esse cuidado significa prevenir situações que poderiam acompanhar toda a gestação e, em alguns casos, toda a vida da criança”, destaca a ginecologista.
Para além do corpo, o acompanhamento pré-concepcional também abre espaço para cuidar da saúde emocional. Ansiedade intensa, estresse crônico e ausência de rede de apoio impactam não apenas a fertilidade, mas também a forma como a mulher vivencia a gravidez. Segundo a médica, preparar-se emocionalmente ajuda a evitar sobrecargas que muitas vezes só aparecem no pré-natal ou no pós-parto. “Quando falamos que o cuidado começa antes da concepção, estamos falando de preparar a casa antes da chegada de uma visita muito esperada”, resume a médica, de forma que o corpo esteja tão pronto quanto a mulher para receber o visitante ilustre. Antecipar o cuidado é transformar o desejo de ser mãe em um gesto concreto de proteção. O pré-natal, afinal, não começa no consultório após o teste positivo. Ele começa quando a decisão de gerar uma vida pede espaço e cuidado.
Sobre a médica:
Isabela Simionatto: médica graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, CRM 162.975. Ginecologista e Obstetra pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, especializada em Medicina Fetal. É titulada pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.
Isabela Simionatto
Ginecologista e Obstetra
CRM 162.975
RQE 76.990
@dra.isabelasimionatto
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