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Novidade preserva fertilidade de mulheres com câncer

Congelamento de tecido ovariano permite adiar a gestação

Publicado em 21/11/2019

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Novidade preserva fertilidade de mulheres com câncer

O câncer pode ser um pesadelo ainda maior para mulheres que desejam ter filhos porque o tratamento da doença compromete a fertilidade feminina. A ida regular ao ginecologista ajuda no diagnóstico inicial da doença e, assim, garante que a fertilidade não seja tão afetada.

 

Em casos mais graves, a retirada de parte ou de toda a estrutura reprodutiva pode ser necessária para preservar a saúde da paciente. No entanto, existem alternativas para preservar a fertilidade antes de um tratamento oncológico. Uma novidade na medicina reprodutiva é o congelamento do tecido ovariano.

 

A Criopreservação de tecido ovariano consiste na retirada de fragmentos de tecido do ovário, normalmente por laparoscopia. Após o processo, eles são encaminhados ao laboratório para serem congelados. Existem duas maneiras de realizar a técnica, como explica Rafaela Aguiar, embriologista da Originare.

 

“Temos o congelamento lento e o por meio de vitrificação. O primeiro é o mais utilizado e o tecido ovariano é submetido a um crioprotetor – substância que vai proteger o tecido durante o congelamento. Como o próprio nome diz, durante o processo, a temperatura vai caindo lentamente até alcançar o padrão necessário. Já na vitrificação o tecido ovariano é submetido a uma maior concentração de crioprotetor e a queda de temperatura é muito rápida. Em ambas as técnicas o tecido ovariano é armazenado em nitrogênio líquido, com temperaturas abaixo de -186ºC.  O tecido fica nesta situação até que a mulher decida que está pronta para ter filhos, quando é descongelado e reimplantado novamente”, explica.

 

Em quais casos este procedimento é indicado? Essa e as principais dúvidas sobre o assunto, Rafaela Aguiar explica a seguir. Confira:

 

Quando é indicado o congelamento do tecido ovariano?

 

A criopreservação do tecido ovariano é indicada, principalmente, para pacientes que precisam começar um tratamento quimioterápico com urgência e não podem esperar a indução da ovulação para o congelamento de óvulos. O período de internação para realizar o congelamento do tecido ovariano é mais curto. Além disso, meninas antes da puberdade que têm um alto risco de falha ovariana precoce e pacientes que não podem ser estimuladas com hormônios também podem fazer o procedimento.

 

Existe alguma diferença entre os resultados de gravidez após o congelamento por meio de vitrificação e de congelamento lento?

 

Hoje em dia, apesar da gente não ter um consenso mundial sobre qual é a melhor técnica para tecido ovariano, a maioria dos centros optam por realizar o congelamento lento porque é o procedimento que reportou mais nascidos vivos até o momento. São 130 nascidos por essa técnica e apenas 2 por meio de vitrificação.

 

Já existem casos de crianças que nasceram depois da mãe preservar tecido ovariano quando jovem?

 

Sim, existe. Foi publicado um estudo em 2017 de uma criança de 9 anos que preservou o tecido ovariano. 14 anos após a criopreservação ela fez o reimplante e engravidou por meio de uma Fertilização in Vitro (FIV). É importante destacar que a criopreservação do tecido ovariano permite que a paciente engravide após o transplante de maneira natural. 50% das pacientes que têm uma gestação após o transplante engravidam naturalmente e as outras 50% precisam do auxílio da FIV.

 

Qual é a relação da técnica com a postergação da menopausa?

 

O médico pode propor para pacientes jovens, entre 20 e 30 anos, que retirem 1/3 de um dos ovários e congelem esse tecido. Futuramente, quando atingirem a menopausa, elas podem reimplantar o que foi retirado para que a produção hormonal seja reestabelecida e volte a ovular após a menopausa. No entanto, a técnica ainda é considerada experimental e precisa de uma validação científica.

 

Em quanto tempo o ovário volta a funcionar após reimplantar o tecido?

 

Quando a gente faz um implante é preciso voltar a perceber a função hormonal da paciente. Geralmente, após quatro ou cinco meses o ovário volta a produzir hormônios. Isso é observado com a queda do hormônio FSH, verificando que a função ovariana está reestabelecida. Ela geralmente se mantém em torno de cinco a seis anos. Isso depende também do período em que o ovário foi criopreservado. 95% das pacientes que fizeram o transplante no mundo tiveram a parte hormonal reestabelecida.

 

Por quanto tempo o tecido ovariano pode ficar congelado?

 

Os óvulos e tecidos ovarianos podem ficar congelados por tempo indeterminado. Temos relatos de óvulos que ficaram mais de 20 anos congelados e foram descongelados sem nenhum problema.

 
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