Dr. Vamberto Maia Filho | Ginecologista Obstetra

Coronavírus X Infertilidade

A pandemia e os tratamentos de fertilização

Publicado em 23/03/2020

Dr. Vamberto Maia Filho

Dr. Vamberto Maia Filho - Ginecologista Obstetra

Colunista
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Coronavírus X Infertilidade

Nesse momento de muitas informações desencontradas venho replicar as notícias referentes especificamente as pacientes grávidas e que estão em tratamento de infertilidade. Minha responsabilidade é informar!



A nossa área de atuação tem como foco a busca da gravidez, a formação de famílias, a realização de sonhos que, em algum momento no passado, pareciam impossíveis. Já enfrentamos o H1N1, o zika vírus e, neste momento, acompanhamos o surto do novo coronavírus (Covid-19), uma ameaça global.


GRAVIDEZ:


Não há evidências de efeitos negativos nas gravidezes, especialmente naquelas em estágio inicial. Há relatos de casos de mulheres positivas para o Covid-19 que deram à luz bebês saudáveis e alguns efeitos adversos neonatais, como rotura precoce de bolsa amniótica, ou parto pré-termo, não tiveram comprovação de que eram resultantes de transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho. A gravidez também não protege, então se cuide, o fato de estar gravida não impede de ter uma doença grave. Esses dados mostram que o comportamento do Covid-19 é diferente do H1N1, que tinha importante implicação para grávidas e seus bebês. Mas seguimos com cautela.



INFERTILIDADE:


1.      Suspensão do início de novos ciclos de tratamento, incluindo indução da ovulação (Coito Programado), inseminações (IUI), fertilização in vitro (FIV). Ou seja, postergar e esperar um outro momento para planejar a gravidez. Entretanto, não queremos que se repitam experiências como as do H1N1 ou do zika vírus, quando muitos pacientes esperaram e o tempo de sua fertilidade natural passou. Por isso discutir com o seu médico é sempre indicado;

 


2.      Para aqueles que estão em tratamento de reprodução assistida, as evidências até este momento sugerem seguir os planos, postergando apenas o momento da transferência por meio do congelamento de óvulos ou embriões;

 


3.      Considerar fortemente o cancelamento de toda transferência de embriões quer  “fresca” ou “congelada;

 


4.      Suspender cirurgias eletivas e não urgentes procedimentos de diagnóstico;

 


5.      Minimize as interações pessoais, ou seja, consultas PRESENCIAIS, sugiro consultas online.




Cuidemos uns dos outros, equipes e pacientes, vizinhos, conhecidos e dos desconhecidos ao nosso lado. Contem conosco.



REFERÊNCIAS (acesso em 16/03/2020):



Sociedade Europeia de Reprodução Humana, ESHRE

Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, ASRM

Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, ACOG

Centro para Controle de Doenças, CDC

Royal College Inglês

Federação Internacional de Fertilidade

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Sobre o colunista

Dr. Vamberto Maia Filho

Graduação em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (2001).

Realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (2004) e em Reprodução Humana (2005) pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP).

Possui título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO/TEGO - 2004) e em endoscopia ginecológica (Video-laparoscopia e Histeroscopia - FEBRASGO - 2005).
Doutor em ciências médicas pela UNIFESP (2010).

Foi diretor médico do Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana - SP. Ex-sócio do grupo Huntington Medicina Reprodutiva. Médico do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP com enfase no ensino com linha de pesquisa em implantação embrionária. Responsável pelo ambulatório de hirsutismo do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP Doutor pela UNIFESP. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Experiência na área de Ginecologia, com ênfase em Reprodução Humana.